Desde 2016, o Programa Integrado de Conservação do Solo e Água (Prosolo) incentiva a elaboração de estratégias e projetos de recuperação e controle de solo nas propriedades rurais paranaenses. O programa, criado pelo governo do Estado com apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR, tem na pesquisa científica um de seus pilares. Por meio da Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada (RedeAgroParaná), os trabalhos estão sendo desenvolvidos para ajudar, a partir dos resultados consolidados, na implantação de práticas de controle de erosão, adequados aos tipos de solo, manejos e culturas específicas nas diferentes regiões do Paraná (veja mais no Boletim Informativo).
Dentre as 35
pesquisas em andamento no âmbito do Prosolo, o pesquisador e professor Avacir
Andrello, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), está à frente de um dos
subprojetos vinculados ao Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná
Iapar-Emater de Londrina, que coordena o projeto central. O trabalho, cujos
primeiros resultados foram divulgados no final de maio deste ano, monitora o
processo erosivo do solo por meio da quantificação do elemento radioativo
Césio-137.
“A
metodologia do Césio-137 indica o processo erosivo laminar, que raramente
conseguimos observar a olho nu. Basicamente é o transporte do solo, normalmente
rico em nutrientes, para fora da área de cultivo”, resume Andrello.
O principal
objetivo do estudo é identificar o processo erosivo que ocorreu no solo de
determinado local nos últimos 60 anos. Segundo o professor, isso é possível por
meio da metodologia do Césio-137, um elemento radioativo com origem androgênica,
ou seja, introduzido no meio ambiente por atividade humana.
“O Césio-137
entrou no solo global, majoritariamente, devido aos testes nucleares de
superfície que aconteceram nas décadas de 50, 60 e 70, principalmente por causa
da corrida armamentista entre Estados Unidos e União Soviética. Naquela nuvem
que sobe quando explode uma bomba nuclear tem solo pulverizado e todas as
partículas de fissão do Urânio estão distribuídas naquilo. Essa nuvem espalha
partículas pelo globo”, explica o professor.
Ainda que a
concentração de Césio-137 no solo brasileiro seja muito menor em relação ao
Hemisfério Norte – cerca de um décimo –, a detecção de radiação nas amostras
permite determinar o processo erosivo em uma área.
“Considerando
que, no Brasil, o cultivo agrícola em massa começou a tomar corpo a partir do
início da década de 70, com a entrada de maquinários, esse monitoramento em
determinada área permite ver como se deu todo o processo erosivo desde o início
da mecanização agrícola”, destaca o pesquisador.
Resultados práticos
A pesquisa
realizada por Andrello consiste na análise de solo de megaparcelas de áreas com
e sem terraceamento. Os primeiros resultados são decorrentes apenas do
monitoramento das áreas agrícolas sem terraços. Nestes, a taxa de erosão anual
correspondente a 2 milímetros de solo por hectare. “Em 60 anos, 12 centímetros
de solo foram erodidos. Isso, para o agricultor, acarreta em mais custo e mais
trabalho, porque a camada cultivável e mais rica em nutrientes foi embora. Será
necessário entrar com mais adubação, realizar correção de solo, fazer
introdução de matéria orgânica”, elenca Andrello.
A coleta de
novas amostras para análise das áreas com terraços, no momento, permanece
paralisada devido à pandemia do novo coronavírus. Apesar disso, o professor
adianta que os resultados entre as duas áreas não devem apresentar diferenças
discrepantes, visto que a metodologia do Césio-137 é direcionada para
identificar efeitos à longo prazo.
Futura metodologia
Segundo
Andrello, a aplicação de Berílio-7, gerado constantemente devido à interação
com elementos da atmosfera, para obtenção de resultados à curto prazo também é
um dos próximos passos da pesquisa. “Essa técnica vai dar um retorno mais
pontual sobre as práticas agrícolas utilizadas agora, se estão sendo eficientes
para conter a erosão”, adianta.
Com os
resultados da pesquisa, o produtor rural poderá entender quais técnicas de
manejo foram mais prejudiciais e contribuíram para o processo erosivo da sua
área de cultivo ao longo dos anos. Dessa forma, será possível identificar as
práticas mais apropriadas para conservação do solo na sua região.
Pesquisa e inovação
A Rede
Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada (RedeAgroParaná) foi estruturada
em setembro de 2017, por meio de parceria entre a Fundação Araucária, a
Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI) e o
SENAR-PR. No mesmo ano, via chamada pública da Fundação Araucária, foram
selecionados 35 projetos sobre conservação de solo e água para integrarem a
RedeAgroParaná.
As pesquisas
são divididas de acordo com sete mesorregiões do Estado, com exceção do
Litoral, atingindo 392 municípios paranaenses. Atualmente, 147 pesquisadores de
19 instituições, incluindo universidades (públicas e privadas) e centros de
pesquisa, estão envolvidos no projeto. O aporte financeiro é de R$ 12 milhões,
sendo metade financiado pelo SENAR-PR.
“A
RedeAgroParaná fomenta a produção de conhecimento científico como estratégia de
desenvolvimento. Além disso, entende-se a necessidade e a importância de
estimular a integração entre o setor produtivo e as entidades de pesquisa,
alinhando ações que visam a coparticipação e podem trazer resultados
determinantes para a elaboração de políticas públicas e outros projetos”,
avalia o secretário-executivo do Prosolo, Werner Meyer Hermann Jr.
A notícia Pesquisa do Prosolo mede radiação no solo para combater processo erosivo apareceu pela primeira vez em Sistema FAEP.
Fonte: Sistema FAEP









