drone_portal

Paraná atinge maior volume de animais abatidos em 10 anos

Por Guilherme Dias Souza, técnico do Departamento Técnico Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR

Em meio às preocupações mundiais frente ao coronavírus, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a pesquisa trimestral do abate de animais, consolidando os dados referentes a 2019. O Paraná abateu, no total, 1,452 milhão de bovinos, segundo melhor desempenho de toda a série histórica, atrás somente de 2010. Naquele ano foram abatidas 7,2 mil cabeças a mais, totalizando 1,459 milhão de animais.

Já a produção de 2019 alcançou 356,06
mil toneladas de carne bovina, maior resultado anual já registrado. Apesar do
número de animais abatidos ligeiramente menor em relação a 2010, o desempenho
do ano passado, em termos de produção de carne, é fruto do incremento no peso médio
de carcaças. O Estado alcançou, na média, 245 kg/cabeça, quase uma arroba a
mais que a registrada em 2010.

Desempenho
da pecuária paranaense em anos selecionados

2010 2013 2016 2018 2019 Variação
2018-19 (%)
Abates (mil cab)1 1.459 1.425 1.198 1.441 1.452 0,74
Produção (mil t)1 338,6 333,1 290,1 349,7 356 1,82
Peso de carcaças (kg)1 232 233,8 242 242,6 245,2 1,07
Exportação (t) 2 22.134 22.141 30.624 32.805 34.383 4,81
Exportação (mil US$)2 72.355 74.559 107.505 125.200 130.821 4,49

Fonte: IBGE, 20201 e
Agrostat2, 2020; Elaboração DTE/FAEP.

Em 2019, o volume de cabeças abatidas sofreu
leve alta (0,74%) frente ao ano anterior. Em termos práticos, a evolução abaixo
de 1% representa estabilidade no montante total. Entretanto, é possível
identificar alterações expressivas ao analisar as diferentes categorias que
compõe esse dado.

A primeira informação é o percentual
de participação de fêmeas no volume total, que em 2019 se manteve inalterado em
relação ao ano anterior, com vacas e novilhas representando 44% dos abates
totais ou 645 mil animais. Enquanto o volume de participação das vacas sofreu
redução de 2,56%, o montante de novilhas cresceu 9,42%. Foram 15 mil novilhas a mais que em 2018,
totalizando 176 mil.

O volume de bois acima de dois anos,
maior participação entre as categorias, se manteve praticamente estável. Em 2018
foram abatidas 738 mil cabeças, contra 741 mil em 2019, crescimento de 0,42%.

Por sua vez, o montante de machos
jovens apresentou crescimento semelhante ao das novilhas (8%), sendo enviados
para o gancho 4,7 mil novilhos a mais em 2019 na relação com 2018.

Participação
das diferentes categorias nos abates do Paraná em 2018 e 2019

Categoria (cabeças) 2018 2019 Variação (%)
Bois 738.839 741.926 0,42
Novilhos 59.548 64.311 8,00
Total machos 798.387 806.237 0,98
Vacas 482.066 469.746 -2,56
Novilhas 161.020 176.191 9,42
Total fêmeas 643.086 645.937 0,44
Totais 1.441.473 1.452.174 0,74
% Macho abatido no ano 55,39 55,52 0,13
% Fêmea abatida no ano 44,61 44,48 -0,13

Fonte: IBGE, 2019; Elaboração
DTE/FAEP.

Na comparação do desempenho dos
últimos trimestres de 2018 e 2019, o mercado da arroba registra um aquecimento
vertiginoso, no qual as cotações bateram recordes nominais e reais (R$ 231,35
no dia 27 de novembro). Isso pode ser consequência de dois fatores: queda no
número de animais abatidos e alta nas exportações.

Em números gerais, nesse período houve
redução de 1,9% no número total de animais abatidos, em torno de 7 mil cabeças.
Em termos práticos, esse comportamento é consequência do mercado da arroba. Como
a curva de preços vinha se mantendo apática desde meados de 2017, o pecuarista estava
desestimulado a investir em estratégias diferenciadas de alimentação dos
rebanhos em 2019, como o confinamento ou mesmo a suplementação à pasto.

Nesse contexto, houve represamento de
animais, pois, ao não suplementar no período seco, esses não estavam terminados
para atender a demanda de fim de ano, o que contribuiu para a ascensão
meteórica da arroba. Contudo, a confirmação desse cenário somente irá ocorrer
com os dados do primeiro trimestre de 2020, prevista pelo IBGE para junho deste
ano. 

Mesmo assim, apesar da redução no
número total de abates, no último trimestre a participação das categorias mais
jovens de novilhos e novilhas aumentou em 22,8 e 9,79%, respectivamente, frente
à igual período de 2018. Por outro lado, o volume de fêmeas mais eradas reduziu
em 11%, e o de machos se manteve praticamente estável, decrescendo em 0,46%.

É certo que a maior expressão de vacas
abatidas ocorre geralmente no primeiro e segundo trimestres, fruto do descarte
de animais vazios após a estação de monta. Entretanto, os maiores percentuais
de abate de categorias mais jovens poderiam estar atrelados à melhor resposta
dessas categorias à suplementação. Outro aspecto a ser considerado seria o
atendimento ao mercado externo.

O principal comprador de carne bovina
paranaense em 2019 foi Hong Kong, que abocanhou 12 mil toneladas do total
exportado pelo Estado, o que representa 35% das 34,3 mil toneladas
comercializadas.

Desde 2005, o Brasil não exportava
tanta carne bovina em termos de volume. Mas, as cotações da arroba para o ano
fizeram com que o Estado batesse recorde de faturamento em 2019, movimentando
US$ 130,8 milhões, 4,4% a mais que o recorde anterior, de 2018, com US$ 125,2
milhões,

A diferença nas importações de Hong
Kong foi de 1,9 mil toneladas, que divididas por um peso médio de carcaças de
245 kg, seria o equivalente à carne oriunda de cerca de 8 mil animais.
Curiosamente, o quarto trimestre de 2019 representou crescimento de 7,8 mil
animais jovens em relação a igual período de 2018.

A cadeia de fornecimento de alimentos
não para, mas o comportamento do mercado segue incerto. Se por um lado houve
uma explosão de consumo pela população estocando alimentos para o período de
quarentena, por outro não se sabe por quanto tempo o isolamento se estenderá.

Com a paralisação de restaurantes,
total ou parcial, e a circulação de clientes reduzida nos supermercados, a
indústria encontra ou encontrará dificuldade nas vendas. Mesmo a arroba
mostrando sinais que em 2020 não retornará aos patamares do ano passado, o
escoamento depende da demanda, e como essa se comportará nos próximos meses,
somente o tempo nos dirá.

A notícia Paraná atinge maior volume de animais abatidos em 10 anos apareceu pela primeira vez em Sistema FAEP.

Fonte: Sistema FAEP



avatar

Envie suas sugestões de reportagens, fotos e vídeos de sua região. Aqui o produtor faz parte da notícia e sua experiência prática é compartilhada.


Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.