Aftosa

BAIXO INDICE DE VACINAÇÃO

Apesar dos criadores terem até o dia 15 de junho para confirmarem aos órgãos oficiais do Estado o número de animais vacinados, a apenas dois dias do prazo regular de vacinação pouco mais de 40% confirmaram a imunização. Por esse motivo, a Secretária do Desenvolvimento Agrário (SDA) alerta para a necessidade de os produtores rurais agilizarem a proteção dos seus rebanhos. Além de transtorno, deixar a vacinação para última hora pode também acarretar prejuízos financeiros.

No ano passado, o Ceará foi reconhecido internacionalmente pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como zona livre de febre aftosa com vacinação. Na primeira fase da campanha, em maio, o índice foi de 94,56%. Em Novembro, na segunda etapa, foi praticamente o mesmo, 93,79% do rebanho foi imunizado. O governo quer manter, e, se possível, até superar esses percentuais neste ano.

Alerta 

Por esse motivo, o coordenador estadual da vacinação contra a febre aftosa, Joaquim Sampaio, da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri), alerta os proprietários de animais que restam apenas dois dias para comprarem a vacina dentro do prazo. Eles devem tomar cuidado porque o mês se encerra no domingo, quando muitos estabelecimentos comerciais não funcionam e os que estiverem abertos podem não ter estoque da vacina.

“Quem não comprar o antídoto contra a doença infecciosa até o dia 31 será obrigado a seguir até uma das unidades da Adagri para conseguir a autorização para adquirir o produto nas lojas especializas e, ao mesmo tempo, receber um Auto de Infração por cada animal não vacinado. A multa é de cinco Ufirs, o equivalente a R$ 16. O mesmo valor será cobrado por cada animal não declarado. O prazo limite para confirmação da vacinação nesta primeira fase é dia 15 de junho”, ressaltou.

Imunização

Segundo dados apresentados pelo coordenador, o rebanho bovino atual do Ceará é de 2.579.000. Apenas 1.500 são bubalinos. A maior concentração do gado está no Centro-Sul, com 484.384 cabeças, onde 50,45% já confirmaram a vacinação. A Segunda está no Sertão Central, incluindo o sertão de Canindé, com 406.602 animais e 46,20 % de confirmação da imunização. O Cariri vem em terceiro, com 396.911, onde 50,58% também registraram imunização. A Zona Norte concentra 324.492 bovinos com 45,8% de vacinação registrada. Em último está o Sertão de Crateús, com 311.455 e 50% vacinado.

Em Quixeramobim, onde, também está concentrada a maior bacia leiteira do Estado, o secretário municipal de Agricultura e Recursos Hídricos, Célio de Oliveira, confirma o hábito dos pecuaristas em deixar para comunicarem aos órgãos oficiais acerca da vacinação dos seus rebanhos às vésperas do término do prazo. Entretanto, sua secretaria, juntamente com técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) está reforçando a campanha e pretende, inclusive, superar os 90% de imunização do ano passado.

Dados da Adagri apontam que atualmente Quixeramobim está com 86.582 bovinos. Desse total, 53,7% já tiveram a vacinação confirmada.

Alimentação e dívidas 

Entretanto, para os criadores, como o pecuarista Cirilo Vidal, atualmente a vacinação é o menor dos problemas. Está faltando alimentação para os animais e o governo federal não está mais subsidiando o milho. A saca de 60 Kg está sendo comercializada a média de R$ 37. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vendia a R$ 21. Antes do fim do ano, muitos terão o seu aporte reduzido e ficarão ainda mais endividados. No Nordeste, são praticamente um milhão de endividados.

Muitos estão correndo o risco até de perderem suas propriedades para os bancos oficiais. Conforme Vidal, em 2012 o governo federal havia sancionado uma lei para parcelamento das dívidas, dos empréstimos bancários. O prazo para sancioná-la expira no fim deste ano.

Mas agora eles querem liquidar as dívidas com base no valor retirado dos financiamentos, num prazo de 20 anos. Um grupo de representantes de todo o Nordeste seguirá para Brasília no início de junho. Ele será um dos representantes do Ceará.

- Queremos flexibilização e assegurar um acordo justo. Sem rebanho a Adagri não precisará mais se preocupar com a vacinação contra a aftosa – acrescentou Cirilo Vidal.

Fonte: Diário do Nordeste 



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