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SECA E O TRIGO

A falta de chuvas em São Paulo afetou a produção de trigo no estado, resultando em uma produtividade menor do que a inicialmente prevista para a safra 2020. Segundo informações apresentadas na manhã de 12 de novembro, durante a reunião da Câmara Setorial do Trigo, o volume do grão colhido no estado é de aproximadamente 260 mil toneladas, o que representa uma redução de cerca de 15% do projetado no último encontro.

“Esperávamos que o estado registrasse o volume recorde de 300 mil toneladas, mas as condições climáticas acabaram afetando a produtividade” – ressaltou o presidente da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, Victor Oliveira.

O cenário altista dos preços do trigo no mundo também foi um dos assuntos abordados pelos participantes da reunião.

“Tínhamos uma expectativa de queda nos preços praticados no grão para esse final do ano, que não se confirmou, pelo contrário. Estamos vivenciando um momento de aumento nos preços do trigo, em plena safra, e também de alta volatilidade no mercado, oscilações no dólar e produtores segurando seus estoques de trigo no Brasil” – explicou Oliveira.

“Ainda está muito conturbado e, para a indústria moageira, fica a dúvida de como precificar essa volatilidade na farinha e, consequentemente, repassar ao consumidor final” – ressaltou ele.

Para a trade da Cofco, Maria Fernanda Marcondes, a alta no preço de comercialização do trigo é reflexo dos movimentos registrados no mundo, frente aos efeitos da pandemia.

“Essa elevação do cereal foi puxado pelo trigo e também tem a ver com o contexto mundial, que registra uma insegurança dos países quanto a uma segunda onda do coronavírus e uma demanda externa aquecida em relação às commodities” – ressalta Maria.

Preços elevados animam o produtor

Para os representantes das quatro maiores cooperativas do estado, Cooperativa Agro Industrial Holambra, Castrolanda, Capal e a Cooperativa Agrícola de Capão Bonito, que participaram do evento, esse cenário pode representar um incentivo para que o produtor invista na produção de trigo na próxima safra, devido à rentabilidade elevada.

“O custo de produção nesta safra foi muito semelhante ao da passada, mas os preços de vendas do trigo estão elevados, o que aumentou a rentabilidade do produtor a patamares semelhantes aos que anteriormente eram registrados apenas na soja. Isso pode animar o produtor paulista a investir em áreas maiores para o trigo em 2021” – destacou o representante da Castrolanda, Júlio Cesar Gomes Antunes.

“A demanda no estado é muito alta e o moinhos estão de olho no trigo de São Paulo, pois ele é uma alternativa mais viável, financeiramente, além de ter boa qualidade. Se o volume crescer, com certeza será absorvido pelos moinhos do estado” – finalizou Oliveira.

Fonte: Sind. da Indústria do Trigo – SP

 

 



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