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Produtor tem novas regras para salvar sementes

Após um amplo debate junto a todos os setores regulados pela legislação
de sementes e mudas, incluindo o produtivo, com participação ativa da FAEP e da
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) no envio de sugestões,
começa a valer no dia 21 de março as novas regras para as chamadas sementes
salvas. Essa prática consiste no ato de o produtor rural guardar uma parte da
sua produção para usar no plantio da safra seguinte. Trata-se de um direito do
agricultor, mas que precisa ser exercido seguindo uma série de procedimentos
cadastrais junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Antes, o Decreto 5.153 de 2004, regulamentado pela Lei 10.711/2003,
definia esses procedimentos. Porém houve a necessidade de modernizar e desburocratizar
esse dispositivo em sintonia com as mudanças ocorridas nas cadeias produtivas e
nos avanços da biotecnologia por parte das empresas que pesquisam, produzem e
fornecem sementes e mudas. Por isso, o Mapa convocou entidades representativas
do agronegócio para debater aspectos importantes em um novo marco regulatório.
O resultado foi sistematizado em um decreto, o 10.586 de 2020.

A nova legislação faz uma atualização em vários pontos importantes das regras que regem o Sistema Nacional de Sementes e Mudas e no que se aplica ao produtor rural, que, nesse sistema, é chamado de usuário de sementes e mudas (veja as mudanças no Boletim Informativo). O texto trata das regras para cumprir os termos do chamado Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem) e do Registro Nacional de Cultivares (RNC).

O instrumento legal trata de aspectos como a produção e certificação de
sementes e mudas; a amostragem e análise das mesmas; o comércio interno e do
transporte; o comércio internacional; os requisitos para utilização desses
insumos de plantio; as comissões, auditorias, fiscalizações, proibições e
infrações; entre outros temas relacionados.

Atuação da FAEP

Nos últimos anos, a FAEP reiterou, por meio de ofícios e manifestações em
reuniões do Grupo de Trabalho de Tecnologia e Comissão Nacional de Cereais,
Fibras e Oleaginosas da CNA, o pedido para que fosse garantido o direito de
reserva de sementes para plantar 100% da área na safra seguinte. No texto
final, essa possibilidade foi mantida, garantindo a soberania da decisão do
produtor, de plantar com sementes salvas a área que quiser, desde que tenha
inscrito a mesma no Mapa e salvo apenas a quantidade suficiente para plantar
esta área.

“É fundamental que o produtor tenha a escolha de classificar sua produção
e usar as próprias sementes. Sabemos que nem sempre é possível quando há
problemas climáticos ou outros percalços, mas, em anos de boas safras, essa
prática pode proporcionar redução nos custos de produção. Por isso, estamos
instruindo os sindicatos rurais para prestar todo o apoio aos produtores que
quiserem usar sementes salvas”, compartilha Ágide Meneguette, presidente da
FAEP.

Dinâmica de ano safra

Apesar de as regras começarem a valer em março, é preciso atenção por
causa da dinâmica das safras. “As sementes que serão usadas na safra 2021/22
precisam cumprir todos os trâmites necessários junto às autoridades
fitossanitárias na temporada atual [2020/21]. Por isso, a importância de
alinharmos essa estratégia envolvendo os membros da Comissão Técnica da FAEP e
também os colaboradores dos sindicatos, que vão efetivamente levar esse
conhecimento para a ponta, os produtores rurais”, destaca Ana Paula Kowalski,
do Departamento Técnico e Econômico (DTE) da FAEP.

O novo Decreto 10.586/2020 ainda carece de revisão das normas complementares
(instruções normativas e portarias) para ser operacionalizado. Ou seja, há um
período de transição após 21 de março. Após essa data, muitas determinações
ainda não terão norma complementar atualizada, fazendo valer a regra atual,
presente especialmente nas instruções normativas 9/2005 e 45/2013. As novas
regulamentações devem ser publicadas gradualmente, sem um prazo
pré-determinado.

Cadastro

Para lançar novas cultivares, as empresas produtoras de sementes investem
dinheiro e tempo. Segundo informações do Mapa, o montante em uma única pesquisa
pode chegar a US$ 100 milhões e até 13 anos de estudos. Para remunerar esse
trabalho, as companhias cobram taxas, denominadas royalties, dos produtores.
Por isso, o agricultor não pode, por exemplo, guardar mais sementes do que vai
plantar e vender a um vizinho, já que estaria cometendo um crime se apropriando
de uma biotecnologia que não pertence a ele – além de não contar com as
autorizações e licenças necessárias para ser produtor de sementes.

Um ponto de atenção para o produtor que salva sementes para uso próprio,
é que o pagamento de royalties para as empresas que detêm a patente da
tecnologia faz parte da relação comercial privada entre fornecedor e cliente.
Já a declaração de uso próprio de sementes e mudas é uma exigência do Mapa, que
deve ser enviada de forma online, sem custo ao produtor rural.

Punições

O Decreto 10.586/2020 descreve as condutas passíveis de punições, caso o
produtor descumpra as normas vigentes para salvar sementes. Entre os atos que
geram sanções estão deixar de inscrever a área destinada à produção de semente
salva no Mapa, adquirir e utilizar sementes e mudas de fornecedores
irregulares, não identificar as sementes reservadas ou as mudas produzidas para
uso próprio e transportar sementes reservadas ou mudas produzidas para uso
próprio entre propriedades sem autorização do órgão de fiscalização. Ainda, é
proibido impedir ou dificultar o acesso da fiscalização às instalações e à
escrituração da atividade.

As penalidades vão de infrações leve, grave e gravíssima, que podem gerar
desde advertência até autuações em processos administrativos e multas.

Comissão Técnica da FAEP debateu
tema

A nova legislação para as sementes salvas foi o tema principal da
primeira reunião de 2021 da Comissão Técnica (CT) de Cereais, Fibras e
Oleaginosas da FAEP, realizada no dia 20 de janeiro. O encontro ocorreu de
forma virtual, com a participação de mais de 140 pessoas, entre membros da CT e
presidentes e trabalhadores dos sindicatos rurais de todas as regiões do
Paraná.

Na ocasião, o auditor fiscal do Mapa Ildomar Ivan Fischer fez uma
explanação sobre toda a legislação, além de falar sobre as peculiaridades para
guardar sementes nas principais culturas, como milho e soja. “Reservar sementes
para uso próprio é um direito, porém o agricultor precisa cumprir alguns
requisitos”, ponderou.

A auditora fiscal do Mapa Camila Vieira também palestrou no evento e fez
uma simulação do passo a passo para solicitar o pedido de salvar sementes, a
chamada declaração de uso próprio de sementes e mudas. Essas informações são
prestadas usando o Sistema de Gestão da Fiscalização (Sigef), acessível de
qualquer computador com acesso à internet. Para acessar o Sigef, primeiro é
preciso fazer um cadastro no Sistema Solicita. Este cadastro fornece acesso a
uma série de serviços do Mapa, como o Sigef.

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Fonte: Sistema FAEP



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